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Os melhores ateliers de Alta-Costura

Pequeno momento de números: um vestido ou fato de alta-costura demora, em média, 150 horas a ser feito. Se tiver bordados e detalhes minuciosos, mil horas. Se for um vestido de gala, mil e seiscentas horas.

Aqui ficam as nossas espreitadelas favoritas a alguns destes momentos de criação - e prometemos que não serão mil horas!

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Valentino

Coisas que adorámos: As artesãs atentas, científicas em cada movimento, mãos assentes no tecido como se tivessem coordenadas exatas. Antonietta, no atelier há 38 anos. Os manequins cobertos por papel, como se os embrulhassem. E o detalhe da técnica manual altorilievo, de bem pertinho.

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Schiaparelli

Coisas que adorámos: Ser possível adivinhar qual dos artesãos fez cada peça, como se as suas técnicas deixassem um rastilho. A aplicação de cada uma das escamas em madrepérola, tão cuidadosa. Os óculos-teste em papel dourado, feitos talvez por um dos artesãos numa fase de experimentação?

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Dior

Coisas que adorámos: Os artesãos são os cuidadores da tradição. Cada artesão está dedicado a um detalhe de cada vez. Seja um corte, um ponto, ou uma paisagem de missangas. Quem já lá está há 11, 18, ou 34 anos. A tecelagem, a coleção de contas e os artesãos que ainda as fazem à mão. O orgulho de quem sabe as técnicas mais difíceis. O pedacinho que demora uma semana a ser feito!

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Alexander McQueen

Coisas que adorámos: A sequência de cada corte, de cada marcação de pontos, de cada medição, molde, alfinete, escrita como uma receita antiga. O manuseio de tanto tecido que se vai tornando numa silhueta tão reconhecível pela precisão de quem a cria. O processo de tentativa-erro de cada rosa.

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Chanel

Coisas que adorámos: A individualidade dedicada a cada flor – nas suas pinceladas ou pontos, como se tivessem de as manter frescas fora da terra. A montagem de cada flor, feita com pinças e uma gentileza cirúrgica. A floresta de plumas estendida sobre a mesa.

Chanel inaugurou o seu espaço le19M para contar com mais de 700 artesãos, 11 ateliers, e uma programação educativa de técnicas artesanais para o público. Aqui, “as mãos são tudo”!

Para mais delícias com bordados, missangas, plissados e plumas, espreitem aqui.

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Joana Vasconcelos

Sim, nós sabemos, não é um atelier de Alta-Costura, mas permitam-nos só esta exceção!

Coisas que adorámos: Para a sua peça Árvore da Vida, de 13 metros, foram bordadas, à mão, 70 mil folhas!

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Pensamentos sobre a Alta-Costura

Continuamos sempre a precisar desta malta, de quem sabe fazer e traduzir para tecido o mundo imaterial. Os ateliers e o artesanato como batimento cardíaco de uma arte e indústria, relembram-me, ainda, da importância do fazer-devagar: de que leva tempo a aprender algo técnico, a trabalhar a excelência, a parecer intuição o que se faz há anos. Que há lugar na moda para reconhecer o valor do que é feito à mão, o que leva e dura tempo. Para o trabalho feito humanamente.

Relembra-me que o valor de algo pode estar na sua curiosidade, no processo de criação, na concretização de uma imaginação a galope – nem sempre dependente de ser algo que se pode usar, comprar, vestir. Como num quadro, num bailado ou num concerto, que também não precisam de ser “nossos” para os adorarmos, podemos ser espetadores de moda.

E que há lugar para o serviço à beleza, à delicadeza, ao estranho, ao que ultrapassa o que um tecido deveria fazer, nas suas conceções mais tradicionais.

É também quando deixamos que a moda venha ao serviço da arte que nos divertimos mais com ela, que nos encorajamos mais por ela – seja como criadores ou como espetadores.

Posted in: Cultura & Moda

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